A última interferência é uma homenagem e remissão à oposição claro x escuro fortemente presente na estética Barroca. Contudo, nesta nova roupagem não há uma falsa luz. A composição foi feita entre a paisagem da Orla de Botafogo em dois momentos distintos: de dia e à noite.

A separação é feita no horizonte e todo o céu está enegrecido pela noite. A cidade está iluminada pelo sol. Tem-se assim uma inversão a cidade está iluminando o céu, como se a produção de luz assumisse a mesma função de liberação de calor.

Interferência nº5

16/12/2009

A primeira interferência que pretendia-se nesta foto era o rebatimento da orla. Nota-se que a paisagem não está refletida, mas sim rebatida transmitindo discrepância entre as paisagens. Em segundo momento, foi aplicado o efeito de  cutout e uma textura aquática sobre a parte de cima da foto. A proposta com esta interferência é criar no “leitor” uma quebra de expectativa e, ao mesmo tempo, o desconforto de uma orla onde o mar está em cima e o horizonte é apenas um proto-rascunho do que deveria ser, enquanto o reflexo, ou seja, a aparência, a pretensão, o simulacro, é o que se tem de claro e evidente.

Interferência nº3

16/12/2009

Como em uma imagem que representa a mesma cidade em dois planos e momentos distintos.

Na parte superior do quadro tem-se uma paisagem urbana em alto contraste, com cores vivificadas. Na parte inferior do quadro o reflexo desta mesma cidade, invertida e à noite.

Em Alice através do Espelho a personagem central ao cruzar o paralelo de sua realidade para a ficção que se apresenta atrás do espelho descobre que, em algum grau, esta nova realidade que se apresenta é simétricamente oposta à sua realidade conhecida.

Para esta interferência nos apropriamos da narrativa de Lewis Carrol e trabalhamos sobre sua proposta. A água do mar atua como o espelho refletor por onde Alice entrará nesta nova realidade. Lá ela encontrará o oposto do que havia da onde veio, ao invés do dia, a noite, ao invés da paisagem rebatida, a paisagem investida. Seu mundo de ponta a cabeça.

Esta mesma fórmula foi empregada, recentemente, no sucesso audiovisual Piratas do Caribe III, no qual o protagonista está aprisionado em uma realidade diametralmente oposta à sua. A representação desta diferença é, também, o rebatimento da estrutura inicial.