Interferência nº9

17/12/2009

Ao mesmo tempo que a interferência transmite a inocência pueril, também apresenta uma visão exterior e onisciente do mundo. O menino, envolto por uma aura, transcende sua realidade atuando como um narrador onisciente  da imagem. A proposta, remete ao cinema vanguardista russo de Zgiga Vertov  – O Homem com a Câmera – onde o personagem principal é a câmera e portanto não é um elemento construtor da imagem.

O menino percebe o mundo ao seu redor e não é percebido em retorno. Ele quebra a quarta parede e interfere na paisagem tal qual nós interferimos na paisagem destacando sua participação.

A presença de um elemento religioso também não pode ser descartado. O foco de luz difusa sobre o menino remete à representação bíblica do escolhido, do fruto bendito. Esta “divindade” emprestada reforça a onisciência do personagem central que também é destacado por ser o único elemento a manter a cor.

Interferência nº5

16/12/2009

A primeira interferência que pretendia-se nesta foto era o rebatimento da orla. Nota-se que a paisagem não está refletida, mas sim rebatida transmitindo discrepância entre as paisagens. Em segundo momento, foi aplicado o efeito de  cutout e uma textura aquática sobre a parte de cima da foto. A proposta com esta interferência é criar no “leitor” uma quebra de expectativa e, ao mesmo tempo, o desconforto de uma orla onde o mar está em cima e o horizonte é apenas um proto-rascunho do que deveria ser, enquanto o reflexo, ou seja, a aparência, a pretensão, o simulacro, é o que se tem de claro e evidente.