Interferência nº4

16/12/2009

A interferência nº4 assume um caráter diferenciado e inovador a medida que tece um mosaico, um vitral de cenas do cotidiano urbano: um homem falando ao celular, um morador de rua, um carro e uma fachada.

A mescla é feita como em um templo, narrando uma história e transmitindo um testemunho, no caso, o testemunho do ordinário, do diário. Cada imagem que compõe o mosaico foi individualmente tratada com o objetivo de reforçar o oposto do que representa.

O homem à janela antiga, fala ao telefone – sinal de modernidade. A esta foto foi aplicado o efeito de sépia deslocando-o para um passado com significados mais simples.

O carro e a fachada recebe um tratamento de esmaecimento, parecendo defasado, desatualizado, antigo, apesar de se tratar de um carro atual e de uma fachada reformada.

O morador de rua é envolto por um filtro que torna suas cores destacadas. A vivacidade das cores contrata com a condição social do indivíduo. O recurso do filtro nesta imagem se deu por uma crítica à estética da telenovela que com filtros glamouriza situação que estão distantes do simulacro social.

Interferência nº2

16/12/2009


Quadrinização do antigo

Nesta imagem, a interferência pretendida envolve algumas referências da psicodelia e influências das histórias em quadrinhos brasileiras surgidas nas décadas de 1960/1970. O prédio retrata uma esquina, ou um divisor – em vários níveis – das estéticas e influências.

A esquina foi escolhida por representar a dúvida/opção, a proposta de intervir trata sobre a possibilidade de modificar e recriar, confluindo para a interpretação desta fotografia. A opção por deixá-lo em tons de cinza remete às fotografias históricas que ao mesmo tempo climatiza e fundamenta o olhar.

Os elementos que modernizam esta paisagem são as cores, mantidas em alguns elementos extrínsecos à estrutura, como a mulher à direita, a lixeira e a placa. Nota-se que estes elementos fazem parte de uma mesma estrutura – verossímil e existente – e, por isso, compartilham a tonalidade azul. A proposta com a identidade cromática dos três elementos é de situá-los no mesmo universo representativo, são parte integrante da mesma realidade, convivem e compartilham.

O céu, por sua vez, tal qual histórias em quadrinho da Turma da Mônica apresenta o elemento psicodélico, a quebra de rotina e paradigmas a interferência do suprarreal, em um cenário desgastado e abatido.

Interferência nº1

16/12/2009

O moderno e o antigo, nova perspectiva

A interferência trata do contraste entre o antigo e o moderno, que convivem lado a lado em cidades históricas como o Rio de Janeiro.

A composição da foto é original, não é uma montagem entre os planos. O olhar da foto pode ser refeito por qualquer pessoa ao caminhar pelo centro da cidade.

Futuro e passado estão em contraponto claro nesta foto. Janelas são metáforas recorrentes para retratar pontos de vista, modos de enxergar o mundo. O modo como são retratadas as janelas nesta foto não foi um fortuito acaso, e sim pensado para simbolizar o confronto entre os dois momentos históricos, os dois modos de ver o mundo e estar-no-mundo, e mesmo dois dois estilos arquitetônicos, o antigo cada vez mais prejudicado e demolido para dar lugar ao moderno. Se as janelas fossem realmente olhares, miradas, teríamos duas pessoas encarando-se mutuamente, talvez ameaçadores, talvez contemplativos, ou ainda conciliadores.

O esquema de cores desta foto foi alterado para reforçar o contraste/contraponto. Enquanto a fachada antiga está colorida, a fachada do prédio moderno foi alterada para tons de sépia, dando a idéia de que mesmo com o confronto descrito acima, ambos os prédios são parte da mesma coisa, a cidade.

Neste ponto, podemos pensar sobre a construção de significado da foto, sobre a retórica fotográfica. Ao colorir e ressaltar a fachada antiga em detrimento da moderna, que ficou apagada e flat com os tons sépia, imediatamente se consolida o significado de que o passado é mais interessante e belo do que o presente feito de concreto cinza. Caso a interferência fosse contrária, ressaltando o prédio atual e tornando apagado o histórico, teríamos um retrato do triunfo do moderno sobre o antigo.