Interferência nº9

17/12/2009

Ao mesmo tempo que a interferência transmite a inocência pueril, também apresenta uma visão exterior e onisciente do mundo. O menino, envolto por uma aura, transcende sua realidade atuando como um narrador onisciente  da imagem. A proposta, remete ao cinema vanguardista russo de Zgiga Vertov  – O Homem com a Câmera – onde o personagem principal é a câmera e portanto não é um elemento construtor da imagem.

O menino percebe o mundo ao seu redor e não é percebido em retorno. Ele quebra a quarta parede e interfere na paisagem tal qual nós interferimos na paisagem destacando sua participação.

A presença de um elemento religioso também não pode ser descartado. O foco de luz difusa sobre o menino remete à representação bíblica do escolhido, do fruto bendito. Esta “divindade” emprestada reforça a onisciência do personagem central que também é destacado por ser o único elemento a manter a cor.

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